A rádio comercial no Brasil tem outras funções que não somente o lucro?
As pesquisas para a criação do rádio datam de 1863, 1887, 1893 e 1896, com Maxwell, Hertz, Landell e Marconi. Mas a radiodifusão mesmo só surgiu em Nova Iorque, em 1916, onde Lee Forest, instalou a primeira estação estúdio, e fez o primeiro programa que se tem noticia. Este tinha conferências, músicas de câmara, e gravações e também rádio jornalismo, com apurações eleitorais dos EUA. Logo começou a ERA DO RÁDIO, já que em 1921 eram 4 emissoras e no fim de 1922 eram 382 nos EUA.
Em 1923, surgiu a rádio comercial, com o movimento das emissoras que queriam o direito de conseguir ter seus próprios recursos. A primeira foi a WEAF, de NY. Ela irradiava anúncios e cobrava 2 dólares por 12 segundos e 100 dólares por 10 minutos. Comparando com dados atuais temos por exemplo a rádio Globo que cobra 72 Reais por 15 segundos e 208 Reais por 60 segundos.
O pai do rádio brasileiro, apesar do padre Landell de Moura ter sido o percursor na transmissão de vozes e ruídos, foi Roquete Pinto. Ele e Henry Morize fundaram em 1923 a rádio Sociedade do Rio de Janeiro, a qual como o próprio nome já diz, era formada por sócios que contribuíam com mensalidades.
O rádio cresce no Brasil. No início dos anos 30 o Brasil já tinha 29 emissoras que transmitiam óperas, músicas e textos instrumentais. Então, em 1932, o governo de Getúlio Vargas autoriza a publicidade em rádio. Ademar Casé, avô de Regina Casé, criou o primeiro jingle em seu programa na rádio Philips: “Oh padeiro desta rua / tenha sempre na lembrança / não me traga outro pão / que não seja pão Bragança!”.
Daí por diante foi só crescimento. Programas de muito sucesso, artistas ficando famosos e a rádio passa a fazer parte da vida da família brasileira. E até hoje continua assim. Hoje temos rádios comerciais, web, educativas e comunitárias. As rádios comerciais despertam meu interesse porque elas se tornam populistas, difundem interesses particulares, utilizam a radiodifusão para obter prestigio político e eleger candidatos, influenciam na orientação religiosa, difundem músicas pagas pelos produtores, além de venderem produtos através de publicidade e a venda de produtos é importante porque quando precisamos vender ou comprar algo, podemos utilizar este meilo de divulgação. Mas será só isso?
Não acho. Na programação diária de uma rádio comercial tem também bloco de informação e lazer, manifestações culturais, artísticas, folclóricas, tem participação dos ouvintes ao estimulo do lazer, da cultura e do convívio social. Há informações sobre a sociedade, tipo rádio jornalismo, há a transmissão de jogos esportivos, realiza eventos, músicas em geral, cobre eventos, informa o público, faz entrevistas, etc. Claro que tem interesses econômicos nesse processo. No Brasil, cerca de 8 famílias apenas controlam a comunicação e isso é preocupante, porque influenciam e conduzem a vida política e cultura do país por deterem o poder dos meios de comnicação em massa. E mesmo com a tv, o jornal, o livro eo computador o rádio tem o poder incrível por utilizar uma tecnologia de baixo custo de produção e distribuição. É um meio auditivo, não exclui os que não sabem ler nem escrever, é na língua local e penetra nas áreas mais remotas, sendo ainda o veículo de maior audiência no Brasil. Pois é!
Então, ele é importante para a sociedade porque contribui para a construção da identidade da população, do conhecimento na área da saúde, com campanhas do Ministério da saúde, por exemplo, com serviços de utilidade pública, com exemplos de incentivo a doação de sangue e a procura de pessoas desaparecidas. Claro que tudo isso depende do uso do potencial educativo que todo radio tem, inclusive a radio comercial. Alias, o radio, inicialmente tinha somente caráter educativo e cultural e é preciso estar atento à programação, à formação dos profissionais que trabalham com ele, para estarem atualizados com as novas tecnologias, para saberem lidar com o publico, etc. E isso é difícil quando o dinheiro esta em jogo. Mas é possível fazer com que as rádios comerciais veiculem programas legais, que teem fins lucrativos, sim, mas também, têm o papel de educar, de dar entretenimento, de fazer o ouvinte pensar sobre os temas abordados. E isso é o que valoriza o produto “Radio”. A riqueza das diferenças. Cabe a nós escolhermos a que mais nos agrada. E pronto.
Bibliografia:
www.microfone.jor.br/historia.htm
http://paginas.terra.com/br/arte/sarmentocampos/historia.html
http://espirito.org.br/portal/artigos/ednilsom-comunicacao/radio-historia.html

